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Como pensa um Product Designer do Miro?

15 de setembro de 202321 min de leitura

O design de produtos transcende a simples criação de interfaces; é uma fusão de estratégia, psicologia e inovação. Em empresas inovadoras como a Miro, os designers de produto são vistos não apenas como criadores, mas como parceiros estratégicos no desenvolvimento do produto. No mundo dinâmico do design, adaptabilidade e uma abordagem centrada no feedback são vitais.

Nesta entrevista, exploramos a essência da carreira de design de produtos, destacando a importância do feedback constante, a adaptação às mudanças e as leituras essenciais para aqueles que desejam aprimorar suas habilidades e conhecimentos na área.

Pode se apresentar brevemente? Quem é Damian, onde você mora atualmente, o que você gosta de fazer fora do trabalho? Nos ajude a te conhecer um pouco mais!

Sou Damian Skotzke, Straff Product Desginer na Miro e atualmente moro em Amsterdã. Fora do trabalho, sou um criador independente. Atualmente, construo infoprodutos e compartilho conhecimento sobre gestão de produto e design.

Estou profundamente envolvido no tema de produtos – me fascina entender como e por que os produtos funcionam ou têm sucesso. Construir produtos é parte da minha missão.

Quando não estou construindo produtos, dirijo RPG de mesa com meus amigos, desde jogos independentes até Dungenos & Dragons. Também assisto corridas de F1, gosto de simuladores de corrida no PS5 e viajo com minha moto.

Há quantos anos você trabalha com design de produtos? Pode compartilhar sua trajetória profissional até chegar à Miro? Você já teve algum contato com pessoas brasileiras de produto?

Até agora são 13 anos. Durante muitos anos, dividi minha atenção e paixão entre branding (especificamente, sistemas de identidade visual), design UX/UI e desenvolvimento front-end (nunca fui muito voltado para o desenvolvimento back-end).

Frequentemente, oferecia serviços complementares que combinavam essas três áreas. Levou-me cerca de 8 anos para começar a questionar por que alguns produtos fazem sucesso e outros não. Até então, minha trajetória variou entre trabalhos freelance, parcerias com amigos para criar estúdios/agências, ingressar em startups e, depois, voltar à consultoria.

Em um determinado momento, vi meu negócio freelancer declinar e ingressei na maior agência de consultoria digital da Polônia – a Netguru. Foi um momento mentalmente desafiador. No entanto, o que inicialmente vi como uma falha – o colapso de meus empreendimentos me levando a um emprego em uma grande empresa – mostrou-se uma bênção.

Encontrei profissionais muito mais habilidosos que eu, dos quais pude absorver experiências. Meu inglês melhorou, comecei a trabalhar diariamente com empresas internacionais e, com o tempo, passei a fazer parte de uma equipe focada em longevidade do produto, em vez da abordagem clássica de trabalhos freelance rápidos. Foi um momento decisivo; senti que o design de produto era minha vocação e acreditei que poderia prosperar nele. Parecia estar em casa.

Foi também quando tive meu primeiro contato com as culturas brasileira, portuguesa, espanhola e argentina. Na época, a Netguru colaborava com o Grupo OLX, e eu me juntei a uma de suas equipes de produto como designer de produto externo, mas em tempo integral.

Trabalhei em Lisboa e tive a sorte de conhecer pessoas incríveis dos países mencionados. O talento e calor humano deles me cativaram. Juntos, excelentes em nossas tarefas e compartilhamos muitas risadas. Guardo essas memórias com carinho.

Nesse período, também encontrei um mentor. Meu então gerente de produto, que mais tarde retornou ao Brasil para se tornar diretor de produto na QuintoAndar, me acolheu. Ele me orientou e desafiou em áreas de construção de produtos, cultura de equipe, crescimento pessoal e desempenho geral. Esse mentorado me transformou.

Aprendi o valor do feedback e da crítica e deixei de temer o fracasso. Evolui para ser verdadeiramente uma pessoa que joga em equipe, uma mudança que beneficiou muito minha carreira. Cheguei até a atuar como gerente de produto interino.

Eventualmente, deixei a Netguru, sentindo um forte desejo de trabalhar exclusivamente dentro de equipes de produto. O encanto pelo design de serviço havia diminuído para mim. Ansiava por envolvimento profundo, querendo sentir de perto os desafios e triunfos do crescimento do produto, melhorar a experiência do usuário e empatizar com eles. A natureza do trabalho em agência, com seu engajamento um tanto superficial, não conseguia saciar esse desejo.

Graças a uma recomendação, entrei na Careem, uma subsidiária da Uber no Oriente Médio, atuando como Product Design Lead focado em experiências B2B em Dubai. Meu papel estava centrado em melhorar a experiência do comerciante, mas ocasionalmente me aprofundava em projetos exploratórios. Minha passagem, embora curta com 6 meses, foi intensa e inestimável.

O mercado do Oriente Médio contrasta fortemente com o europeu, tirando-me da minha zona de conforto. Ainda assim, as pessoas ao meu redor, tanto colegas quanto clientes, facilitaram essa transição.

Minha jornada na Careem foi interrompida por uma oferta da Miro – uma plataforma de colaboração visual que passei a admirar. O produto da Miro transformou minha forma de trabalhar, permitindo uma abordagem mais livre e empoderada na solução de problemas em comparação com ferramentas como Docs, Sketch ou Figma. Percebi que desejava fazer parte de equipes que criavam ferramentas para fomentar a criatividade e inovação. Portanto, quando a oferta veio, não pude resistir.

Como você chegou à posição de Staff Product Designer na Miro?

Ingressei como Senior Product Designer na área de Plataforma. Em nosso modelo, as áreas representam nossas principais unidades de foco no produto. A Plataforma foi criada para criar uma ponte com o mundo externo. Ela capacita desenvolvedores a criar aplicativos, possibilita parceiros a integrar a Miro em seus produtos ou incorporar seus produtos na Miro, promovendo um ecossistema rico em torno do produto.

Fazia parte da equipe de integrações de Áudio/Vídeo. Minhas responsabilidades incluíam integrar a Miro com plataformas como Google Meet e Around by Miro Labs, além de aprimorar a experiência do usuário para Zoom, MSFT Teams e Webex. Além disso, tive a oportunidade de refinar a experiência de incorporação da Miro em diversos aplicativos e produtos externos.

Depois de um ano, identifiquei o que verdadeiramente despertava minha paixão na Miro e percebi onde queria deixar minha marca. Aventurei-me em um novo domínio e tive a sorte de me juntar à área Core, focando em projetos estratégicos de Gerenciamento de Conteúdo. Nessa fase, fui promovido à posição de Staff Product Designer.

Minha trajetória pode parecer linear, simplesmente subindo os degraus até me tornar um Staff Product Designer. No entanto, quando entrei na Miro, tinha um objetivo claro: conquistar o título de Staff Product Designer. Essa aspiração não era segredo; comuniquei-a abertamente ao meu gerente e colegas.

Definir um objetivo claro e específico fez toda a diferença – me deu um roteiro para traçar e avaliar minha jornada. Claro que há um elemento de sorte envolvido, mas ter um objetivo concreto ajuda a reconhecer e aproveitar as oportunidades certas. E aqui estou!

A síndrome do impostor é um tema com o qual muitos profissionais lidam. Como isso afetou sua carreira, se é que afetou?

Afetou muitas vezes. No meu caso, ela vem em ondas. No entanto, aprendi a antecipá-las.

A síndrome do impostor se manifesta toda vez que saio da minha zona de conforto, seja mergulhando em uma área completamente nova, aventurando-me em território desconhecido ou fazendo uma aposta ousada no produto.

Parece que cada novo papel ou domínio vem acompanhado de auto-dúvida. No início, frequentemente cometo erros antes de realmente entender como posso ajudar os usuários em sua jornada. Esse período de luta e falha é um terreno fértil para a síndrome do impostor.

Com o tempo, percebi que isso faz parte da jornada. É um momento de humildade, uma constatação de que tenho mais a aprender, que posso estar errado ou que há mais a ser considerado. Embora sempre desafiador, tentei abraçar esses sentimentos. Consistentemente saio mais forte e mais sábio dessas fases. Funciona como uma salvaguarda, evitando que me torne excessivamente confiante.

Acredito fortemente que excesso de confiança pode ser prejudicial no mundo dos produtos. Dada a imprevisibilidade envolvida, é quase impossível garantir que nossas soluções, estratégias ou apostas terão sucesso. Nosso principal papel é mitigar riscos, mas nunca podemos eliminá-los completamente. De certa forma, a síndrome do impostor serve como um lembrete desta realidade. Vejo a síndrome do impostor como uma visitante ocasional, e não como uma adversária.

Como é um dia típico para um Designer de Produtos na Miro e no seu papel como Staff Product Designer?

Não tenho um ritmo diário. Meus dias nunca são idênticos. Trabalhar com produtos é algo sinuoso. Adapto-me com base nas necessidades, no estágio de desenvolvimento e nos casos de uso específicos.

No entanto, tenho um ritmo semanal. Segunda-feira é dedicada ao planejamento e à atualização. Frequentemente, me encontro em várias reuniões e dedico tempo à leitura e resposta de mensagens para gerenciar expectativas e informar minhas decisões.

Às terças-feiras, concentro-me em remover obstáculos para os próximos dias. É comum para mim envolver-me em prototipagem, conduzir workshops, preparar estruturas de alinhamento, entrar em contato com equipes ou realizar testes. Todas essas atividades preparam o cenário para decisões futuras e pavimentam o caminho para tarefas estratégicas ou de design.

Quarta-feira é o dia mais tranquilo. Na Miro, temos uma política de “Quartas-feiras sem reuniões”, e eu aproveito este tempo para mergulhar profundamente no meu trabalho mais exigente. É uma oportunidade para reflexão, ideação e múltiplas rodadas de prototipagem. Ocasionalmente, devido ao número reduzido de reuniões, quarta-feira torna-se o dia ideal para workshops longos, como sprints de design e similares.

Quinta e sexta-feira são sobre dar continuidade ao trabalho dos três primeiros dias. Busco resolver pendências, preparar-me para transições, realizar revisões e mais.

Como você apoia indivíduos e equipes?

Isso está ligado à maneira como defino design de produtos. Para mim, é menos sobre a interface do usuário, ajustes de pixel e simplesmente receber “ordens” dos PMs.

Vejo o papel do designer de produtos como sendo um parceiro na definição da estratégia do produto. Estou envolvido no processo do início ao fim e apoio e acrescento valor aos meus parceiros multifuncionais, focando no aspecto da experiência.

Entender o usuário e seus desafios, os objetivos de negócios, o impacto almejado em um determinado período e garantir testes e configuração de trabalho em equipe são responsabilidades coletivas dentro da equipe.

Meu foco está nos fluxos de usuário, interações, interfaces, alinhamento com o sistema de design, colaboração com outras equipes, facilitação de pesquisas e garantia de qualidade. Para executar essas tarefas, uso várias ferramentas, incluindo workshops, comunicação assíncrona e síncrona, diagramação, estruturas, prototipagem, mockups e muitos outros.

Qual é a sua maneira favorita de usar o Miro?

Começo o dia com o Miro e termino com o Miro. Eu passo talvez 20-30% do meu tempo no Figma. Uso o Miro para tudo – planejamento, alinhamento, revisões, ideação, fazer perguntas, workshops, prototipagem, anotações, etc. Por exemplo, na nossa equipe, temos um quadro chamado Sketchbook dividido em linhas, cada uma representando uma semana. Todos os resultados e produtos das tarefas que mencionei podem ser encontrados lá. A vantagem? Ao trabalhar consistentemente no Miro, fica muito mais fácil localizar informações, referenciar ou comparar com iterações anteriores.

Miro ressoa comigo porque reflete meu processo de pensamento. Não penso de forma “vertical”, de cima para baixo, então documentos tradicionais, que são valiosos para reflexões estruturadas, não me servem tão bem. O espaço de trabalho do Miro permite que eu organize meus pensamentos em agrupamentos, formas e formatos ilimitados.

Posso realmente refletir minha mente ali. Às vezes, fazer sentido dos pensamentos por si só é um desafio, mas quando os mapeio no Miro, posso tirar conclusões, obter insights e conectar os pontos. Quando comecei a usar o Miro, foi uma revelação, e esse sentimento persistiu desde então.

Quais são as habilidades mais subestimadas entre os profissionais de produto?

Acredito que em termos de soft skills, seria a arte de fazer perguntas. Frequentemente, chegamos a conclusões precipitadas. Admito que pessoalmente caio nessa armadilha com frequência. Mas isso é prejudicial tanto para você quanto para aqueles ao seu redor.

Quando confrontados com um problema, preocupação, hesitação, proposta, plano e afins, nosso primeiro instinto é resistir. Reagimos e respondemos com nossas próprias opiniões. É compreensível – nosso cérebro está fortemente ancorado em informações previamente adquiridas e nas opiniões que formamos a partir delas.

Mas e se, em vez disso, começássemos fazendo perguntas? Qual é exatamente o problema? O que o causou? De onde vem essa hesitação? Por que você está tão confiante nesta proposta? O que eu poderia estar ignorando? Perguntar ‘por quê’ continuamente pode alterar significativamente nossa perspectiva.

Quanto às habilidades técnicas, não acredito que haja uma que seja particularmente subestimada. A necessidade de habilidades técnicas muitas vezes depende da situação e da necessidade em questão.

Se for o caso, diria que às vezes superestimamos as habilidades técnicas. Elas são as habilidades mais facilmente adquiridas, adaptadas e atualizadas. Em contraste, soft skills tendem a ser inestimáveis independentemente do caminho profissional ou profissão que alguém escolhe.

Que dica você daria a alguém que está começando sua jornada em design de produtos?

Tenho muitos princípios orientadores, mas se tivesse que escolher o mais importante, ele se centraria em feedback. Fortaleça seu músculo de feedback. Faça do feedback uma rotina semanal. Abra-se para críticas construtivas. No início, será difícil. Como designers, frequentemente levamos feedbacks para o coração.

No entanto, ao buscá-lo consistentemente, ele se torna menos pessoal com o tempo. Isso ajuda você a identificar áreas para melhoria, promove seu crescimento pessoal e, eventualmente, permite que você aprecie verdadeiramente a arte do design de produtos. A relutância em receber feedback é o maior obstáculo em qualquer carreira de produto bem-sucedida, seja em gestão, design ou engenharia.

Indique conteúdos que você gosta para pessoas de produto

Tenho um carinho profundo por livros. Eles são como ter uma conversa com alguém e colher insights de suas experiências selecionadas e reflexivas. Aqui estão alguns livros transformadores que influenciaram grandemente tanto minha vida pessoal quanto profissional:


Espero que as lições e insights compartilhados aqui sirvam de apoio e inspiração para todos os profissionais da área. Continuem aprendendo, questionando e crescendo. Até a próxima.

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